| Relatos:
1- Por João Viagem
Ah, meu Deus. Um ano de expectativa. Durante esse tempo, o mito foi crescendo e o coração pulava toda vez que ouvia ou lia a frase "Iron Biker". Uma prova com mais de 1.000 ciclistas, inclusive de paises como Itália e Canadá, enfrentando muitas subidas esburacadas, estradas poeirentas e muito sol.
Reunimos o timão oficial do CAB e apesar das ausências doídas de Ricardo Dias, Dênis Yoshio, Mauricio, Alemão e outros, tivemos como novidade, parceiros bônus como Rogério "caveirinha" Rebinski da cidade de Antonina, no Paraná, Luciano "gaúcho", incansável piadeiro de Araçariguama, SP, Ailton "Greenbikers" de Souza, de Embuguaçú, SP, Waldir Gonçalves e Fábio Cavinato.
Saimos de Sampa às 23 horas e pegamos a Fernão Dias.
Na serra de Bragança Paulista, o motor do busão aqueceu de repente e apagou. Colocamos mais água, mas o aquecimento havia comprometido o motor e não seria possivel forçá-lo para uma viagem tão longa. Ficamos todos meio jururu, mas não perdemos a esperança. Depois de uma longa e angustiante espera, O Edy arranjou outro busão, onde jogamos nossos "trens" e caimos alegremente na estrada em direção a Mariana.
Dormir era impossivel. O pessoal zuou o tempo todo. Dizem que para comemorar apareceu um destilado que acabou em parte evaporando e em parte no vaso sanitário. Num sei, num sei.
Pousada
Chegamos na Pousada Passo do Carmo, em Mariana, bem tarde. Todos muito cansados, não houve muito papo, não. Até os probleminhas de última hora foram resolvidos sem stress. Pessoal atencioso e simpático, esse de Minas Gerais, ceis sabem como é. No dia seguinte, tivemos o melhor café da manhã que já vi, antes de uma competição. Bastante frutas, cereais, bolos, biscoitos e sucos à vontade.
Largada
Colocamos os lacres nas magrelas, alfinetamos o numeral nas camisas, recebemos as pulseirinhas na vistoria e fomos alinhar.
Puxa, quanta gente. Olha lá a cearence Alziane, que mais tarde iria tirar o fôlego do Flávio Doin, na hora do almôço: "Posso me sentar na sua mesa?". Bem quietinhos, aguardando na sombra e contendo a ansiedade o pessoal da Total Bike, Sidney, Carlos e o Claudinho, que acabaria pegando pódium, na frente do piloto da Cart/F1 Cristiano da Mata, he-he.
Um bocado de gente que participou do Big Biker também estava se alinhando e devo registrar aqui, a enorme importancia do Big Biker na preparação e incentivo de muitos bikers nesse tipo de maratona. Eu mesmo comecei a me preparar e criar "coragem" para participar do Iron, na copa organizada pelo Gonga na região de Taubaté. Taubaté, que aliás, coincidentemente, foi a cidade de onde partiram, nos anos de mil seissentos e bolinhas, os Bandeirantes que fundariam a cidade de... Mariana, em Minas Gerais!
Fizemos no primeiro dia, sábado, varios trechos com características muito diferentes. Asfalto, estrada de terra batida, caminhos e single tracks. Boa parte desse percurso, fizemos no sentido inverso no dia seguinte e achei isso muito legal.
Segue então, um compacto dos melhores momentos:
Trilha do TPM
Trilhazinha que na opinião das meninas, tem o nome merecido. Dificil, muito dificil de vencer. Toda a atenção é pouca, porque o chão é muito duro, de pedra, cheio de valas e pequenos buracos. Lugar onde qualquer tombo custa muito caro, como pude comprovar, perdendo uns bons bifes da canela, da bunda e do cotovêlo, quando um cara caiu na minha frente fazendo eu perder o traçado e me esparramar numa vala cascalhenta. (meu único tombo no Iron, he-he)
Single-Track Longo
Quem gosta de single-tracks se esbaldou. Tanto descendo, treinando a habilidade e equilíbrio, quanto subindo e praticando o mais importante requisito do esporte, que é a paciência. Nessa hora é preciso muito senso de oportunidade, para ultrapassar os bikers mais lentos e indecisos. Destaque especial, para uma parte do single, em descida, onde a poeira (isso mesmo, gente: poeira!) tomou conta do mato e não se enchergava nada, se é que se encherga alguma coisa em descidas de single-tracks. Se caisse alí, iriam passar por cima de mim até eu virar humus e me confundir com os elementos do lugar.
Estradões
Pó. Muito pó, bem pior que o do Single. Houve trechos onde só pude distinguir as costas e o pneu do biker que etava à minha frente. E tome curva prá lá e curva pra cá, o corpo jogado bem pra tráz da bike, porque os buracos poderiam pintar a qualquer momento e qualquer descuido era chão. Tudo isso porque tinha muita gente na competição. Não consegui pedalar sozinho em nenhum trecho. Sempre estava embolado no meio de um grupo.
Apoio
Hummmm, que diferença correr com apoio programado.
O Edy pegou minha bike e já foi lubrificando a corrente. O Rincon me passou uns cereais para mastigar enquando eu curtia um relax ouvindo os relatos dos últimos acontecimentos, sobre quem já havia passado e quem deveria passar por ali, ainda.
Nessa hora, um golinho de água gelada, tem um valor enorme. Fechei os olhos e gravei na mente aquela sensação deliciosa para tentar fazer ela vir à tona quando quizesse, durante o resto do circuito. Caramba, não é que funcionou???
Riachos
O nome do trecho era "Lavapés". Curioso, mergulhei no trilho no meio do mato e logo já apareceu um riachinho. Desmontei da bike, meti o pezão na água fria e foi aquele alívio. Ah... não havia notado que naquele calorão, os pés estavam pegando fogo dentro da sapatilha. Até diminui o passo na atravessia, para aproveitar o refrigério. Montei na bike de novo e segui até outro riacho. Depois apareceu mais outro. Vira prá lá e vira pra cá e... outro. Chega! Nessas alturas, o pé já estava gelando!
Ruinas
Estavam lá no meio do morro os restos de uma antiga construção. O que sobrou dos alicerces e escadarias de pedra por onde tivemos que nos enfiar, deu para dar uma mostra de que deveria ter sido um casarão de fazenda, ou algo parecido, muito bem construido, com uma bela vista para os morros.
Por que estaria abandonado em ruinas, assim? Talvez o dono tenha falido. Ou quem sabe, o antigo e apaixonado proprietário (Hooo!) enlouquecido pela morte da linda e jovem ardente esposa, tenha se desiludido da vida, dispensado os empregados e colocado fogo na casa, abandonando tudo e em seguida indo embora sabe lá para onde. Coisas da vida. Coisas de Minas Gerais. (Caramba, o que é que está acontecendo comigo, hoje?)
Molecada
Então! Pra molecada tudo é festa. Não importa se o biker vem vindo pondo as tripas para fora, sem fôlego, sem pernas e vesgo de tanto pedalar. Eles gritam, pulam e batem palmas como se fosse a passagem de integrantes de um circo. E querem um "chocolate" ou a garrafinha da bike. Cansei de gritar que havia passado em cima de uma garrafinha "alí atraz, naquela curva". Para outros, gritei que tinha visto uma, "lá atraz, na beira da cerca", rs. Nessas horas eles olhavam um para o outro e saiam correndo se acotovelando, para buscar a tal da garrafinha, rs!
Podium
Alegria maior que essa, só a mulherada da categoria Sênior, quando subiu no pódium. Uma gritaria imensa e muitos pulos. Gostoso de ver a alegria espontanea dessas mulheres do pedal. Não teve quem não se contagiasse e aplaudisse.
Pessoal doido mesmo, é o pessoal das equipes (Team) e das bikes chamadas "Tandem", com dois lugares. Nesse tipo de modalidade, um vai animando o outro e o biker que está mais preparado acaba fazendo com que o parceiro, mais cansado, se supere e consiga fazer o quase impossivel. O resultado, claro, é muita vibração.
Muito legal de ver, também, a premiação da categoria especial de deficientes físicos. Muitos aplausos, pois qualquer um sabe que não é mole pedalar longas distâncias de terreno dificílimo com uma perna só ou pilotar a bike naquela buraqueira tendo apenas um braço.
Bem, essa é sem dúvida uma prova longa e dificil. Todos chegaram bem, exceto os que se contundiram como o Marcelo (mão) e do Rodrigo (joelho), não podendo assim, participarem da etapa de domingo. Mas como todo mundo já está careca de saber, em provas assim, a gente reclama do calor, das subidas, da organização, mas na próxima largada e gente está lá de novo, alinhado e pronto para largar.
É isso aí. Agradecimentos a todos que nos incentivaram e parabéns ao pessoal que suou sangue para participar desse evento, desde o começo do ano até a bandeirada final.
Joao Faria
PS: E pensar que tudo isso começou no ano de 2002, quando eu peguei emprestada a bicicleta da minha sobrinha, só para ir até a padaria, rs!
2-
Por Flávio IB 2004 – Jamais vou esquecer
Como posso começar a descrever essa Jornada? Simplesmente não existe um começo, essa foi uma viagem atemporal. Ela começou na hora da largada do Iron? Começou quinta dia 23 a noite, quando iniciamos a viagem de ônibus? Ou começou quando alguns meninos tiveram um sonho?
Sim porque personagens que não estavam no ônibus quinta-feira, foram principais nessa história, determinaram o curso da viagem, personagens que só existem porque o CAB existe.
Para que todos entendam o que estou dizendo, isto é todos que não estavam la, vou descrever o que aconteceu.
Após semanas de preparação, de dias e dias de trabalho do Leori e do Sergio, em cima do ônibus do Cab, muito dinheiro gasto para deixar ele tiníndo pronto pra viagem, partímos para o Iron Biker 2004. Estávamos em 24 pessoas, todos amigos e um atleta desconhecido do Paraná, que fez contato com o Sergio e veio para São Paulo para participar do Iron, indo conosco. Por sucessivos erros do motorista contratado para conduzir o ônibus, as duas da manhã aproximadamente, o ônibus parou perto de extrema, com sérios problemas no motor.
Enquanto a maioria esperava dentro do ônibus, O Sergio, Leori, João, Ronaldo, Airton, Fabio, Luciano, e outros desceram para ver o que tinha acontecido, o Leori e o Sergio já esperavam o pior, por conhecer de mecânica. Duas horas depois, com o motor frio, o Sergio levou o ônibus, bem devagar, para um posto de gasolina, lugar mais seguro para decidirmos o que fazer.
Adormeci e acordei já claro, desci do ônibus e todos estavam muito nervosos, não tinha a menor idéia do que fazer, estava preocupado com a cara sisuda do Rogério, o atleta do Paraná.
Nessa hora que o fenômeno do CAB começou a acontecer, o verbo desistir nem sequer foi mencionado, as decisões começaram a vir friamente, um ônibus fretado estava quase fora de cogitação, pois por causa da burocracia, ele iria demorar muito para chegar, estávamos em contagem regressiva, então decidimos, e 8 pessoas se prontificaram a voltar para São Paulo e buscar carros para acomodar todos no ônibus, enquanto isso o Ronaldo depois de muitas ligações coseguiu um guincho para levar nosso ônibus de volta para São Paulo.
Enquanto estávamos a caminho de São Paulo, recebemos a nóticia que o Edy conseguiu um fretado que sairia de Paulínia e nos pegaria la onde estava o ônibus. (O edy nem tava junto, não tinha nada a ver com isso, como assim não entendi? Então leia o primeiro parágrafo de novo) Nem acreditamos inicialmente, seria muito desgastante voltar pra São Paulo dirigindo depois, bom então fora o prejuízo, beleza, descemos do ônibus, atravessamos a Fernão dias, esperamos mais um tempão o próximo ônibus e voltamos para o Posto, nessa altura, nosso ânimo já era outro, o nervosismo tinha terminado, ficará apenas uma ansiedade, se tudo daria certo e se daria tempo mesmo.
Chegando no posto, o guincho já estava la querendo levar o ônibus, e o ânimo do pessoal também já era outro, tudo agora virara piada, lembram do Rogério do Paraná, estava mostrando a todos uma pasta com recortes de suas conquistas em cima da bike, ela agora estava sorrindo e encarando tudo numa boa como todos.
O ônibus demorou a chegar, antes dele chegou o Edy, o próprio herói, e acabou indo com a gente pra fazer apoio, heeee, ainda arrastou mais um pra animar o busão.
Puxa já foi uma página e ainda nem começou o Iron, por volta das 23 horas chegamos em Mariana, todos estavam muito cansados, eu estava já nervoso querendo cama.
Chegando na Pousada, mais uma surpresa, tínhamos feito reservas que estavam ocupadas, depois do stress conseguimos nos acomodar, isto é nem todos.
Sábado, dia 25 de setembro de 2004, acordei com o sino da igreja as 6 da manhã, estava eufórico, nem acreditava que depois de tantas dificuldades, estávamos la, iríamos participar do Iron Biker, minha primeira vez. O clima era ótimo, todos estavam animados, saímos então para o alinhamento pedalando, era pertinho da pousada, quando cheguei na praça, a emoção tomou conta de mim, todo barulho ficou meio abafado, uma sensação de câmera lenta, parecia escutar meu coração bater na boca, mais de mil bikers se amontoavam para o alinhamento, emoldurados por construções que contam a história do nosso país.
Enquanto caminhava, pela lateral da largada, vi o Rogério ali sentado concentrado para a largada, e adivinha qual camisa ele estava usando? Sim, a camisa do CAB. ele passou 24 horas com o CAB, e olha que não foram 24 horas confortáveis, talvez tenha percebido a a magia que une nosso grupo, não são todos amigos inseparáveis, mas amigos se unem para resolver problemas, não importa aonde estiverem, se puderem ajudar, o farão. Fiquei super feliz, gritei pra ele, desejei boa sorte e acredito que ele sentiu aquela energia positiva, todos nós torcíamos para ele. Encontrei muitos amigos, o pessoal da Total, o Dr. , Marcão, Tonhão, Giba, Ricardo e outros.
A largada foi muita adrenalina, aquela massa de ciclistas descendo a rua da igreja e ganhando a estrada foi demais, vou deixar detalhes do percurso para o joão relatar, o faz com muito capricho.
Quando cheguei vi aquele arco inflável vermelho, parei de pedalar para aquele momento durar mais, as pessoas em volta dos alambrados gritavam como se você fosse o primeiro a chegar, meu coração bateu forte e pensei na minha filhinha, que estava com saudades e ela poderia estar la para me ver, aquele é um momento inesquecível. Depois receber o abraço dos amigos que já haviam terminado, e participar com eles essa emoção.
A Noite foi maravilhosa, passear com os amigos, jantar e dormir, afinal tinha mais no dia seguinte e já estávamos cansados.
A largada do dia seguinte foi demorada, mas foi tão boa quanto a primeira, dessa vez forcei muito no começo achando que o circuito iria ser tão travado como no dia anterior, mas não foi assim, e senti o cansaço bater forte na segunda metade da prova, quando vários companheiros de pedal me deixaram pra tras, mas meu camarada Sergio chegou também e me animou a acompanha-lo, e foi assim até o final me dando a maior força pra seguirmos juntos, esse é um dos prazeres de ser do CAB. Faltando 4 kilometros para a chegada, demos um sprint juntos que foi sensacional, entramos na praça com se estivéssemos disputando primeira colocação, foi demais, subir no podium, receber a medalha de participação, olhar pra a multidão e ver os 2 melhores colocados do CAB (Rogério e Silmara) la embaixo gritando parabéns, foi maravilhoso.
Gostaria de agradecer a todos, pela companhia.
Cibele, não preciso nem dizer nada, seu nome é sinônimo companherismo. Sempre disposta a usar seu poder mágico sobre os outros para conseguir alguma coisa que alguém estiver precisando.
Rincon, você abriu mão de ficar com a sua família esses dias, para simplesmente nos dar apoio, nem foi para correr, só para apoiar quem correu, vi você correndo para la e para ca, sentindo um prazer imenso em poder ajudar as pessoas, até consertou bicicleta, com uma humildade e siceridade sem igual, você mora no meu coração.
Edy, cara, já te disse que você é o cara né, então vou dizer de novo, você é o cara, sei que deve ter enfrentado dificuldades e aberto mão de compromissos importantes para ter nos ajudado da maneira que você fez, espero poder retribuir isso para você meu amigo, você me incentiva muito.
por Flavio Doin (C.V.) 3-
Por Ailton .IRON BIKER BRASIL 2004
Depois de muitos anos de espera, finalmente fui disputar a prova mais
famosa do país e a maior da América Latina: o IRON BIKER. Foi a
realização de um sonho, que desde o início do ano me preparei para
realizar tanto financeira (é uma prova que tem um custo e despesas
altas), quanto fisicamente (fiz um trabalho específico para esta prova).
Como disse antes a primeira coisa que fiz foi “juntar grana e treinar”
e, uns dois meses antes do início das inscrições é que comecei a me
preocupar com a ida, ou melhor, como ir , já que infelizmente só ia eu
da minha equipe e os amigos que contatei também não poderiam ir. Foi aí
que lembrei-me que havia conversado com o Sérgio do CAB no início do ano
e ele havia me falado de suas participações no IRON em anos anteriores e
de como iria neste ano. Entrei em contato com ele e “fechei contrato”
para ir com a turma do CAB.
A VIAGEM ATÉ MARIANA
Finalmente chegou a semana da corrida e com ela a ansiedade e as
incertezas típicas de iniciantes, só que eu era um “iniciante” com 14
anos de participações em provas de MTB, ou seja, sabia que o Iron Biker
não era uma prova como as muitas de que havia participado e não via a
hora de encarar o “Desafio das Montanhas”.
Chegou o dia da partida. Saímos de São Paulo as 23:20 horas do dia 23
com previsão de chegar em Mariana no dia seguinte no final da manhã,
então teríamos tempo de descansar, regular as bikes, etc...
Só que o “desafio” começou para nós na madrugada do dia seguinte quando
ao “cruzarmos a fronteira” com Minas Gerais (no município de Extrema),
nosso ônibus quebrou, e aí começou um drama que foi conseguir outro
transporte para nos levar até Mariana que se estendeu até por volta das
14:00 horas do dia 24, quando finalmente prosseguimos viagem, chegando
em Mariana por volta de 23:30, ou seja, depois de 24 horas de viagem.
O 1º DIA DE PROVA
Fui dormir por volta das 02:00 horas do dia 25, dia da prova, na
esperança de conseguir acordar as 06:00 da manhã, o que acabei
conseguindo pois não dormi direito. Levantei, tomei um café reforçado e
fui retirar o Kit de inscrição.
Nos poucos metros que separavam a pousada onde estávamos da Praça da Sé
(local da Largada), comecei a sentir um “frio na barriga”, pois nunca
tinha visto tantos bikers juntos e vindos de tantos locais diferentes. O
clima do IRON BIKER é algo indescritível.
As 08:20 alinhei a bike e fui dar uma volta para relaxar pois estava
muito ansioso e encontrei alguns amigos de Sampa e conversamos
rapidamente desejando boa sorte na prova uns aos outros. Ainda consegui
dar um telefonema para casa onde falei com minha maior incentivadora,
minha esposa Roseli, e ouvi um “oi papai” que me fez chegar as lágrimas
de minha pequena Anna Júlia, a quem eu prometera trazer a medalha de
participação.
Mais emoção no momento da largada quando o padre fez uma oração e por
alguns instantes prestei atenção na fisionomia de vários bikers e senti
algo que não sei definir, mas que me fez ter certeza de que estava ali
não só para realizar um sonho, mas também para dar a minha demonstração
de amor a este esporte que pratico a mais de 15 anos.
Após o Hino Nacional, finalmente a contagem regressiva que faz o coração
disparar e a largada, que para mim demorou uma eternidade, dada a
quantidade de bikes que estavam a minha frente, um verdadeiro “mar de
bicicletas”.
Tinha como meta terminar os dois dias de prova “inteiro”, pois tinha
várias informações de que o percurso era muito duro e o calor seria
muito forte. Outra meta estipulada que não sei se iria conseguir era a
de chegar entre os 50 primeiros na minha categoria pois nunca havia
participado de uma prova com tantos inscritos (1120 segundo a
organização), na minha categoria havia112. Devido ao posicionamento
definido pela organização larguei bem atrás e tive de ter muita
paciência até sair da área central da cidade onde finalmente comecei a
fazer ultrapassagens. Após cerca de 7Km de asfalto, finalmente entramos
em uma estrada de terra e aí comecei a “gostar da brincadeira”, pois já
estava aquecido e, para minha surpresa me sentindo muito bem, pois num
longo trecho de subida fiz centenas(acreditem, é muita gente!) de
ultrapassagens, passamos por um ponto de água onde me dei ao luxo de não
pegar água e continuei “socando”, quando entramos em um trecho de
trilhas muito técnicas e tive de “baixar o fogo”, pois havia muita gente
empurrando e não havia por onde fazer ultrapassagens. Passado este
trecho continuei a “socadeira”até que ao entrar num trecho de estrada
senti a traseira “pesada” e, para meu desespero o pneu traseiro havia
furado. Fazer o quê? Parei ao lado do Flávio do CAB que estava alguns
metros à frente e fiz !companhia! para ele que também havia furado o
pneu e estava trocando a câmara.
Após pedalar uns 2Km outro drama. Furou o pneu dianteiro e para piorar a
situação a única câmara que eu tinha eu acabara de usar. Acabou o IRON
para mim? Não. Tirei a roda dianteira e fiquei gritando que nem um
alucinado pedindo para alguém me arrumar uma câmara. Era um trecho de
descida e centenas de bikers passaram por me fazendo engolir muita
poeira, quando no meio desta nuvem de pó parou uma menina perguntando se
precisava de ajuda, disse que precisava de uma câmara ou remendo se
tivesse e ela prontamente tirou uma de sua mochila e lhe perguntei se
tinha outra e ela falou que sim. Agradeci, guardei seu número de cabeça
e disse que depois devolveria a câmara. Troquei a câmara e saí que nem
um alucinado passando centenas de bikers novamente, só que meio tenso
pois estava com medo de acontecer mais algum furo antes de chegar ao
ponto de apoio. Felizmente cheguei ao apoio onde a equipe deu “uma
geral” na bike e no biker e continuei a pedalar num rítimo muito forte ,
quando por volta do Km 53 começei a sentir umas fisgadas na perna que me
fez diminuir o rítimo mas sem perder posições. Por volta do Km 60 a
situação piorou pois comecei a sentir fortes dores nas costas em um
longo trecho de subida que me fez diminuir muito meu rítimo tirando
totalmente minha concentração fazendo com que em alguns trechos técnicos
de descida eu descesse da bike pois não tinha condições de manter o
controle. Quando entrei no trecho urbano, a cerca de 7Km do final, reuni
as últimas forças e dei uma “socadinha” até a linha de chegada pois o
trecho era totalmente plano.
Cheguei por volta de duas horas da tarde e só pensava em ir para a
pousada tomar um banho e cuidar da dor nas costas, pois já temia por
minha participação no dia seguinte caso não me recuperasse bem. |No
caminho da pousada encontrei o Rincon (que estava no apoio) e a Silmara
que já havia chegado (fez um percurso menor) e me disseram que eu era o
segundo da “nossa turma” que havia chegado.
À noite saí para jantar e voltei rapidamente e embora os tempos do 1º
dia já tinham saído não tive ânimo para ir ver.
O 2° DIA DE PROVA
Levantei as 06:00 horas, meio cansado mas sem dor nas costas, e após
tomar o café fui ver o estado da bike e, para minha surpresa, o pneu
dianteiro estava furado novamente. Sem comentários...
Alinhei a bike no local determinado e resolvi dar uma olhadinha na
classificação. Para minha surpresa, fiquei num impensável 22º lugar na
minha categoria e depois de alguns “cálculos”, vi que se não fossem os
furos poderia ter ficado até em 12º. Este resultado me motivou muito
para o segundo dia, pois pretendia melhorar minha posição (talvez chegar
entre os 20 ou manter o 22º).
Dada a largada as 09:40(coisas de Rede Globo!), a estratégia inicial foi
a mesma do dia anterior, muita calma no início e tentar as
ultrapassagens assim que entrasse na rodovia, o que fiz só que as pernas
já não eram as mesmas do dia anterior, mesmo assim quando entramos no
trecho de terra após uns 3Km comecei a fazer muitas ultrapassagens mas o
rendimento não era o mesmo e estava decidido apenas a completar a prova
e levar a medalha de participação para casa. No meio da “multidão”
encontrei o Sérgio do CAB e disse que faria companhia a ele, e assim fui
até o ponto de apoio onde após tomar um fôlego e uma coca cola (bendita
coca!), comecei a me sentir melhor a ponto de imprimir um rítimo muito
forte me sentindo muito bem fazendo inúmeras ultrapassagens,
principalmente nos trechos de subida . Quando faltavam 7Km, iniciou-se
uma longa e técnica subida onde ganhei algumas posições na minha
categoria, mas não fazia a menor idéia se estava bem ou mal
classificado. O que importava é que estava bem fisicamente. Depois de
uma descida forte, entrei no trecho final da prova já dentro da cidade
onde passei “voando” e, quando vi a placa indicando 1Km para o final
senti uma emoção muito forte, pois finalmente estava realizando o meu
maior sonho dentro do meu esporte, vencendo as dificuldades do percurso,
as dificuldades para chegar até aqui (lembram daquela música!) e ao
cruzar a linha de chegada agradeci a Deus pela minha vitória, por eu ser
um esportista, pelos grandes amigos que fiz dentro do mountain bike e
principalmente, por eu ser um “IRON BIKER”
CAB – Clube dos Amigos da Bike
Gostaria de agradecer primeiramente ao Sérgio que me deu esta
oportunidade de participar do IRON junto com o grupo e a todo o pessoal
do CAB pelo apoio, pelo carinho e por me fazerem sentir-me “em casa”. Se
fosse falar o que vi nestes dias que convivi junto com eles teria que
escrever “um capítulo à parte”. O que posso dizer é que tudo o que já
tinha ouvido falar e já sabia sobre este grupo maravilhoso se confirmou
nesta viagem. Também devo minha colocação final em grande parte a vocês,
pois mesmo tendo os problemas que tive na prova eu sabia que havia um
“oásis” chamado CAB no meio da prova para me auxiliar, o que acabou
acontecendo nos dois dias de prova.
Podem ter certeza de que esta não foi a última vez que participamos de
algo juntos, pois hoje me sinto um pouco “Cabeano” também.
Um grande abraço a todos e até a próxima.
AGRADECIMENTOS:
Primeiramente a Deus que colocou em minha mente uma frase que me
acompanhou nos meus treinamentos e principalmente nos momentos mais
difíceis da prova: “PERSEVERAR SEMPRE, DESISTIR JAMAIS”.
A minha esposa Roseli, pela paciência e cuidado com o “seu atleta”.
Aos amigos que me ligaram nas últimas semanas dando apoio e palavras de
incentivo.
Ao “TEAM GREENBIKERS” que tive a responsabilidade de representar e,
acredito que o tenha feito da melhor maneira possível.
CONCLUSÃO:
Após ter vivido esta experiência, posso dizer que valeu a pena todo o
sacrifício para estar participando desta prova, minha classificação na
prova foi muito além do que eu esperava (20º colocado na minha
categoria), mas hoje ao escrever este texto estou me sentindo um pouco
triste, pois conheço muitos amigos que gostariam de participar desta
prova e infelizmente não tem condições (principalmente financeiras) de
participar.
A vocês, meus amigos, dedico minha participação e esta difícil medalha
que conquistei.
por Ailton 28 de Setembro de 2004
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