 |
 |
Trilha
do Tatu Gigante - 11/01/2004 |
Tatu Gigante.....
E eu lá imaginando que tamanho que seria este Tatu!!! No mínimo um tatussauro, com uma morada de fazer inveja prá qualquer túnel de ida prá Santos. E assim, às 7 horas da matina, eu e mais
26 "madrugadores" nos encontramos em Ribeirão Pires.
Dessa vez, nossa bela trilha estava florida: Iara, Daniela, Adriana, Aline e eu. Dos homens, vai ser meio difícil lembrar todo mundo pois muitas vezes, lembramo-nos das coisas engraçadas que acontecem, do rosto dos bikers, mas os nomes.... fogem!!!
Bem, voltemos à trilha. Esta começou diferente de todas. A primeira grande transformação é que nem o Ronaldo nem o Serginho estavam conosco. Sérgio torceu o pé na manhã de sábado e a noite não conseguia nem levantar da cadeira e tem gente que fala que andar de bike é perigoso!!! Caiu na calçada, lisinha e sem bike. Pronto, ficamos sem nosso famoso guia. Leori substituiu com grandes honrarias.
Ao invés de passarmos pelas 4 pontes, descemos até onde tem a linha do trem na Indio Tibiriça e entramos à esquerda. Logo de início, demos de cara com um super trenzão que sempre faz lembrar infância. Todos paramos para ficar vendo o trem passar. Juntamos o pessoal e fomos andando encostados na linha e eu olhando tudo com cara de espanto pois de manhã, bem de manhã, natureza fica com sabor diferente, de coisa fresca, de cheiro úmido, repleta de sons e coisas que bem tarde a gente não vê mais. O que por exemplo? Imagine o trem passando, fazendo a terra tremer um pouquinho e vc. olha pros lados e as árvores, carregadas de gotas de orvalho, desprendem-se e em contato com o sol, fazem múltiplos arco-iris, transformando-as em árvores de natal em pleno mês de janeiro. Mais abaixo, no meio do mato cerrado, entre uma plantinha e outra, uma teia de aranha balança como a rede de um trapezista por causa das gotas que caem dos arbustos!! Um brilho furtivo e outro escandaloso, chamam a atenção até dos desatentos. Falo com a Iara, que se encanta também... não é para menos a simplicidade é o grande segredo da beleza da natureza....
Continuamos com aquele céu lindo, e uma paisagem bucólica, e uma fila única de ciclistas, logo, o Leori fica um pouco mais atrás para ajudar a consertar uma corrente e o Ishida pega a liderança... Vamos indo, conversando enquanto dá, sobre como vai ser o passeio. A manhã fria ainda, cheia de neblina em vários pontos, dá mais ânimo no pessoal. Logo na frente o Ishida pára indeciso, por onde seguir. Tem também o senhor maquininha, o Hebert, que fica em cima da bike, dando girinhos, para não esfriar. Ficamos sabendo que entraríamos à direita, numa subida ...pô... que saber? Nem alpinista, cara, conseguiria subir aquilo... quem estava atrás, só via aquele monte de roupa colorida empurrando a bike e bem devagar.... Tinha tanto buraco fundo, com a "laminha" que vc. era empurrado prá trás sem conseguir dar um passo prá frente. Quanto mais força, mais vc. voltava, terrível!!
Enfim, subimos. Paraíso!! Mata bem fechada e uma descida, single, fazendo um corredor de árvores cujo fim, era impossível de se ver... descemos, braços sendo arranhados pelas árvores cheia de espinhos e vc. nem percebe.
O chão, escorregadio, chama mais a sua atenção. Tudo é de um brilho límpido pois não passa carro só moto, o que não encontramos nenhuma, por sinal.
Subidas e descidas e poças.... ah!! essas tinham e muitas... todas as vezes em que encontrávamos um terreno lisinho, plano, tinha a bendita.... aquele mar de lama que a gente gritava pro imundo que conseguira passar ... qual lado?!?!?!! Ele dizia: Pela esquerda, por que eu fui pela direita e Ó ! Todo sujo!! Tinha gente que gritava ...lá vou eu e ... não ia. Ficava no meio!!
Passei por uma, ali, parecendo até pró e fantástico, cheguei até o outro lado... continuei, pois logo vinha uma subida e escutei um grito Iaral: AAAAAIIIIII!!! Era sim, dona Iara, já com um pé completamente marron grudento fedorento!! Logo em seguida, outro... Ishida... com o pé direito, fazia um belo para com a Iara com o pé esquerdo... Paramos. Restinhos de vietnã. Eu tinha lama em cima do nariz... Paulinho Davene tinha na testa, no queixo, assim como todos nós, tínhamos a "marca da bike" aquela traseira, marron, bonito, acima das pernas, abaixo da cintura....manjas???
Ficamos conversando um pouquinho, numa sombra de fazer gosto. Água, barrinhas, foram todas tiradas ali enquanto esperávamos alguns bikers que estavam um pouco para trás.
Waldir Fumaça acabou de ganhar este apelido pois o cara bebia água e soltava das costas fumaça... isso mesmo!! Tá lendo direito!! Parecia fogueira quando a gente joga água!! e ele falou que sempre acontece isso!!
Juntou o pessoal, fomos indo.
Bem naquele ponto, o cat eye marcava 9.87 e isto significava a divisão dos grupos. O Rodrigo e a Aline, Waldir, Ricardo Barbosa, Daniela, Adriana e mais alguns, resolveram que era o suficiente.
O único que já estava pregado mais queria se auto testar, era o Marco, amigo do Ishida, que mesmo pregado, queria continuar. Claro que demos a maior força!!! O Adriano Interlagos mesmo sendo uma das primeiras trilhas conosco, achou o pessoal muito legal. Quem não acha? todo mundo espera quem está atrás sem cara feia, sem broncas, só light, às vezes tirando uma da cara do atrasildo, perguntando quem foi que convidou o coitado!! Ou então perguntando por que não ficou em casa assistindo tv, e é claro, que todo mundo percebe que é brincadeira e cai na risada!! É tudo muito gostoso, cheio de humor e camaradagem!!
Abraços, despedidas, lencinhos no ar, lá fomos nós à direita e o restante à esquerda, de novo nos trilhos. É claro que o Ishida caiu de novo, após uma freiada brusca do Xuxa!! O tadinho não conseguiu tirar o pé a tempo do .... bendito clip e caiu de novo... ainda me contou que não foram só esses tombos, teve mais três (hehehehe) um deles, numa reta, caiu bem na frente do bobpai, o Artur, logo depois de tirar uma do Maurício que, por causa do CLIP também tinha caído. Eu hein, já tive, já tirei e não coloco mais!! Clip eu??? Tô fora!!
Ao passarmos pela linha do trem, alguém começou a gritar: Olha o trem!! Olha o trem!!
Passamos rapidinho, ele vinha vagaroso, mas sei lá, dá de repente de dar um tilt e a bike não pegar... como fica né?
Todos do outro lado, começou a gigantesca centopéia com seu som repetitivo a passar por nós. O maquinista sorriu e acenou lá de cima prá gente!! Ficamos parados, esperando, sem pressa, o enorme comboio marrom que se encaixava perfeitamente à paisagem matutina...( essa frase, dedico ao Jaider!!!) (ele sabe o por quê)
O Marco estava amarelo. Segundo as más línguas, mais amarelo do que o normal. Mas continuava. Não reclamou nenhuma vez e não era por falta de forças. Continuamos passando pela reserva da Suzano de papéis, unindo três trilhas em uma só. É tanto lugar parecido, que às vezes fico pensando em como se perder ali é fácil e como os meninos conhecem aquilo como a palma das mãos. Como dividem esse conhecimento tão prazeirosamente, respondendo a todos sob todas as dúvidas que surgem. Há pouco mais de um mês, eu, Iara e Marcus Risadinha, fizémos uma trilha e nós éramos os guias, através do conhecimento que eles haviam nos passado. Foi sensacional. Ainda vamos pelo método antigo: de boca a boca. Quem quiser, que nos siga!!
Quando passamos pela cia Suzano, começamos a reconhecer, pois até então, para a maioria de nós, este caminho, era a primeira vez que estava sendo feito. Não vi a toca do TATUSSAURO, mas segundo o Serginho, todos os bikers que se aventuraram nunca mais voltaram... será verdade?
Ele falou isso, com uma voz meio cavernosa.... assustadora... (rs)
Bom, chegamos ao asfalto... Daí foi aquela correria.... Ros passou feito um rojão, tá certo que ele já estava fazendo isso há bastante tempo, mas num asfalto, sumiu de vista. Iara ficou cada vez mais pequenininha de tão rápida que a papa-léguas foi...
Era uma pega pega divertido, mesmo por que ainda estava cedo.
Podíamos voltar no término do asfalto, mas foi decidido que íamos para o Bar do Japonês, bar que é um dos marcos para outra trilha, a da Pedra Grande.
Televisão ligada, ainda vimos um pedaço da copa América que acontecia em Interlagos. Nossa tribo é de outro gênero. Nada de magrelas. Só pneu cravo, muito mato, barro e natureza e com a gente é assim: ou mato ou morro... ou corro pro mato ou corro pro morro!!
Avançamos nas coisinhas de comer do japonês. Bananas, paezinhos seven boys, pacotes de biscoito de polvilho, água, gaitored, tudo de uma só vez. Acho que ele ficou maluquinho!!!
Depois de algum tempo descansando, partimos. Mais um pedacinho de estrada e entramos em estrada de barro de novo. Logo na frente, outro mar de barro, por onde alguns passaram com sucesso e outros.... bem... imagine !!!!
Logo chegamos à single do Mazzaron, que agora, é point para todo mundo fazer por completo uma trilha com a gente. Ali, sim, vc. tem que andar com o selim abaixado, cabeça também, senão é galho que bate no rosto, nos braços, nas pernas, é trilha fechada, estreita, difícil como se todas às vezes ela nos desafiasse e com isso nos dá um prazer imenso!! O coração dispara, fica a mil, respiração ofegante e gente... é só descida!! mas é punk!!! É bom demais!!!
Chegamos à estrada de novo e apesar de subida, é quase corriqueira... Fico lembrando da descida e dá uma sensação de bem-estar... Logo, as quatro pontes se tornam visíveis e descemos até elas para enfim, após 40 km. entrarmos no estacionamento, lugar seguro, sem perigo que a gente faz questão de deixar prá trás todo final de semana para se aventurar, acordando cedo, muito cedo, enquanto muita gente dorme, vivemos cada segundo avidamente como um presente de Deus!
Iramaia Ávila
|
|
|
|
|
|
|
|