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Relatos,
Fotos e Resultados
Pessoal, tá meio resumido porque tou muito
apurado aqui no trampo,he-he, mas pra os curiosos e amigos, aí vai:
A corrida de 104 Km do Big Biker foi fantástica.
Na sexta feira, o CAB foi para a chácara do Paulo Pato em
Taubaté.Descarregamos as coisas, colocamos uns panos mais maneiros e nos
socamos embolados no carro do Paulo Pato, eu, o Marcelo Amancio,Leori,
Mauricio e o Sérgio) para dar um rolê e irmos até Sto Antônio
do Pinhal e pegar os kits da competição no shopping. A cidade é muito
bacana e como fica próximo a Campos do Jordão, é muito
movimentada.
Pegamos os kits com a numeração, batemos um papo com a Emília e o
pessoal do Big Biker e seguimos até Campos. Lá estáva bem frio,
quase cinco graus. Cidade de turismo, cheio de restaurantes finos,
estava bem movimentada. Ficamos bem pouco e só tomei um cafezinho
numa confeitaria, onde o pessoal bacana me olhava, eu, vestido com
roupas de camelô e tenis All Star, como se eu fosse um mero
engraxate, rs.
Mais tarde, juntaram-se anós, Rodrigo e Rodolfo, também do CAB.
Resolvemos dar um pulo até o bairro de Quiririm, onde estava rolando
uma big festa italiana nas ruas (essa festa rola até 08 de maio). Havia
várias barracas de artesanato e alimentos típicos. Um grande
palco com música italiana ao vivo, som bem Pró e muita, muita gente,
gente de toda região, segundo falou o Marcelo. Aproveitamos e
fizemos uma boquinha numa barraca de comida italiana, de olho no horário
para não voltarmos muito tarde.
No sábado, acordamos às 5:30, tomamos banho, colocamos o material na
Kombi e partimos para Sto Antonio dos Pinhais. Chegando lá,
encontramos o Artur e o Edu. Fizemos os últimos preparativos, passamos
pela inspeção e às 8:10, foi dada a largada. O pessoal do
CAB se espalhou pelas ruas da cidade e agora era cada um por si, he-he.
Demos uma volta no centro e começamos a subir para a parte alta da
cidade, caíndo na trilha que se enfiava no meio do mato. Daí em
diante, só subidas e descidas até o descidão da serra, em direção ao
Vale do Ribeira. Vc pode imaginar o tanto de descidas furiosas que
encaramos, ora em estrada de chão, ora em singles por meio de sítios,
riachos, vacas e moradores locais.
Chegando lá em baixo, o pessoal da categori Pró, virava para a esquerda,
enquanto a categoria Sport virava para a direita, para
fazer uns 10 KM, antes de encarar o subidão, de volta a Sto Antônio. A
Pró, seguia pelo vale, em direção a estrada de terra batida, que
passaria por Pinheirinho e seguiria até o asfalto que leva a Monteiro
Lobato.
Nessa estrada de asfalto, com muitos buracos, avistávamos à nossa
frente, a grande serra que deveriamos subir antes de chegar em Sto
Antônio. Não preciso dizer que o visual é espetacular, tanto olhando a
serra, de baixo, como olhando de cima da serra, para o Vale.
Nessa subida, parei num apoio que tinha uma bica (Km 56, acho), para
pegar água, me lavar, comer um sanduba e lubrificar a corrente que
estava sequinha do poeirão da estradinha lá de baixo, em Pinheirinho. Lá
encontrei o Paulo Pato, que tinha furado e precisava
calibrar o pneu. Demos muita risadas, porque o cara do apoio estava nos
mostrando objetos que o pessoal, cansado, havia largado por lá,
como mochilas, camel backs. Diziam: "Ô tiu! Vou deixar isso aqui com o
senhor, depois eu pego, viu?" Parecia aquele lance de filme de
deserto, onde os caminhantes, perdidos, vão largando os objetos de
valor, as roupas e os cantis vazios pelo caminho.
Montei na bike e terminei a subida do asfalto, caindo na estradinha de
tera batida, no meio dos sitiozinhos novamente em direção à etapa
final que era precisamente o descidão que havíamos passado no início da
prova. Essa estradinha veio margeando o pé da serra, cruzando
vários sítios e riachos de água limpinha.
Nesse trecho muito bacana, comecei a sentir que estava cansando, quando
as minhas pernas passaram a apresentar pequenas ondas de
choque que indicavam um inicio de câimbras. Maneirei um pouco e descobri
que havia uma maneira especial de pedalar em que a câimbra
não ameaçava (hummmm...vivendo e aprendendo). Quando comecei a subir, o
gaz acabou. Descansei um pouco, continuei socando, mas cansava de novo
muito rápido. Bem, seja o que for,
vamos fazer o que der. Numa dessas paradas, vindo mais controladamente,
me alcançaram o
Ronaldo Tacla e a Silmara. Descansaram um pouco e socaram a bota
novamente. Eu, cada vez mais pregado e enjoado, fui ficando,
ficando, até perceber que iria acabar me matando, sem conseguir chegar
lá em cima antes da meia noite.
Ah, pelo que tinha pedalado até então (84 Km), já tava muito bom,
considerando que havia passado por um resfriadinho chato durante a
semana, que só melhorou a custa de duas injeções na quinta e na sexta.
Quando o proximo caminhão de apoio passou, joguei minha bike em cima
e vim sacolejando e batendo papo com o cara do apoio, chamado Biscoito
(ou seria Bolacha? eu ainda tava meio zuadão...). Como esse
era o último carro de apoio e não podia ultrapassar os caras que já não
estavam pedalando, só empurravam e eram passivos de desistir,
vinhamos bem lentamente, principalmente nos locais de subida.
Para minha sorte, passou por nós, uma C 14 vazia que estava voltando
para Sto Antônio e pulei dentro. O motorista, chamado Dutra, só
tinha que desmontar a barraca do último posto de controle, mas acabou me
levando até a cidade. No caminho, passei pelo Professor
Arnaldo, Ronaldo e Silmara, que subiam firmes as últimas pirambeiras, já
bem próximos da bandeirada, mas não consegui
cumprimentá-los porque a janela da picape estava amarrada com arame e a
porta não abria por dentro, rs!
Na cidade, me juntei ao pessoal do CAB que papeava alegremente com a
Marilia, da organização do Big Biker, na praça onde havíamos largado.
Me inteirei das novidades, contei o que sabia e fui, pelo amor de Deus,
tomar um café na padaria, enquanto o pessoal se divertia
relembrando os acontecimentos da corrida!
Quando todo o pessoal conseguiu se reunir novamente, despedimos de Sto
Antônio dos Pinhais, nos socamos na Kombi e voltamos para a
chácara do Paulo, em Taubate, para tomarmos banho e voltarmos para SP.
Em companhia do Artur e do Edu, paramos em uma churrascaria, na
Dutra e enchemos o tanque com comida de verdade.
Consegui desabar na minha caminha às 1:30 da manhâ, super cansado, mas
com uma satisfação e bagagem na memória que dinheiro no mundo
pode comprar e só um biker consegue entender.
joao faria Ae
valeu Sergio pela presença no final da prova, ainda conseguimos passar
uns bikers no fim. Valeu Giba, ter encontrado um amigo naquele plano
interminável também ajudou muito na minha corrida de recuperação como
você disse. Todos do CAB pedalaram muito bem mesmo, o posicionamento na
prova é apenas uma questão de condicionamento. Acho que o melhor nessas
provas é saber que somos a maior equipe, não só em número, mais em
solidariedade, saber que vai ter sempre alguém com aquela camisa do CAB,
que abrirá mão de posições para ajudar um colega. Tive a certeza disso
neste domingo, minha corrente quebrou logo no início da prova e todos os
CABianos que passaram por mim e me reconheceram, não exitaram em prear a
bike para ter certeza que estava tudo bem comigo. Fiquei preocupado de
alguem parar e perder muito tempo. Aquele tempo que fiquei parado não
foi perdido, e sim um tempo que tive para saber que estou entre amigos,
obrigado a todos que estiveram lá.
Flavio C.V.
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