Trilha do Sol + Campo Grande 22/06/2003

 

UM DIA PERFEITO 

 

Dia de outono, nem muito frio, nem muito quente... lá estávamos nós, prontinhos para fazer uma simples trilha de 30 km. Como havia sido sugerido. Começamos a andar e a brisa fria da manhã, já animou todo mundo, dando um vigor, que só outono e inverno conseguem... no verão, a turma morre, mas não dá a mão à palmatória (rs)! Passamos pelas três pontes, logo depois de uma subida que a gente deveria chamar de subida do esquenta perna, pois ali, já começa um pequeno esforço. Depois de muitas subidas longas e não tão íngremes, chegamos a uma descida maravilhosa, cheia de reentrâncias, aquelas do toma-cuidado-senão-você-cai, dando, em pequenos quilômetros com uma infinidade de paisagens diversas. Há pesqueiros, pequenos ranchos com animais, mata atlântica fechada com aquela terra preta que, indiscutivelmente, é o cheiro mais precioso de todas as trilhas que eu tenho feito. Para chegar aos 30 km., da parte onde estávamos, era só seguir em frente. Daí o Ronaldo Tacla sugeriu que fizéssemos outro caminho, como ele mesmo disse: mais isolado, porém mais comprido... Claro, claro! Mesmo quem foi a primeira vez na turma do CAB, já estava amando o passeio por ser na Serra do Mar, em plena Mata Atlântica... e ainda não encontrar muita gente? Aceito em gênero, número e grau... Fomos à direita e sobe, sobe sobe, mas tudo bem... era asfalto mesmo, e vira-se à direita novamente, e então, muda-se a paisagem. Pinheiros nos ofertam com galhos cor de ouro velho, em forma tapetes para passarmos. Pássaros, cigarras, outros sons meio indefinidos, mas numa harmonia sem igual. O Sol, agora mais alto, fez os meninos darem uma parada e alguns pulos num trecho onde formava-se um barranco natural... Foi festa e foto!! Tá lá para quem quiser conferir... Mais adiante, alguém perguntou as horas e eu... puxa!! Cadê meu celular!! Perdi no meio da trilha! Seguimos, eu já desencanada... tinha uma subida enorme de empurra bikers e eu não fiz feio, empurrei, com mais uns dois ou três, o restante conseguiu até a metade, alguns foram até o final!! Parabéns! Quando crescer quero fazer igual!! O Ricardo era um, que subia sorrindo, eu falei (brincando, gente, brincando!!) que eu morria de raiva dele!! Entramos na parte onde a Cia Suzano de papéis faz a matança de árvores. Cenário triste de se ver, mesmo por que o Sérginho conta que há dez anos, ele fazia isso com o Leori e era só single track de tão fechada que era a mata. O tempo também nos presenteava com mudanças de sol, para nuvens e chegamos até a pensar que ia Ter chuva. Mas não, mais alguns quilômetros daí em estrada mais aberta, nos saudaram com lírios naturais que curvavam com seu próprio peso, dando a impressão que nos saudavam. Gente, a impressão desta trilha é que ela é completa. Chegamos ao Bar das Tortas, comemos, descansamos. O Júnior, mais uma vez desceu, agora com sucesso, a escada de ferro de perto da ferrovia. Se ele não provasse a si mesmo que era capaz, não sossegava. Eta cara!! Logo em seguida, fomos tirar fotos em cima de um trem, como crianças que muito estão se divertindo numa tarde de férias. E estávamos!! Mil caras, mil poses, descemos para subir na bike e prosseguir. Agora, por caminho mais curto pois já chegávamos perto dos 32 km. Voltamos pela estrada de Campo grande, como uma placa especificava, no meio do nada, com o nada! Outro tipo de estrada, mais larga, alguns carros e muita gente simples e bem educada, a quem dávamos boa tarde, e que, com imenso sorriso, retribuía-nos.. O pessoal, meio cansado, foi ficando um pouquinho para trás e eis que alguém, dentro de um carro, começa a gritar: Bikers!! Bikers!! Alguém de vocês perdeu um celular? O Luciano falou: pô é o da Iramaia! E o pessoal do carro: - Isso mesmo, estava escrito isso mesmo no celular!! e E assim, após 6 horas, gente!! Pasmem!! No meio do mato, meu celular foi devolvido!! Como não existe gente, ou melhor, BRASILEIROS de boa índole. Essa é nossa terra, temos que Ter orgulho e preservá-la e nos lembrar sempre de que isto é uma Nação. Mas continuemos... Chegou o tão esperado single track que o Serginho prometera e todo mundo lá, babando, olho esbugalhado (quem nunca tinha feito) adrenalina soltando pelos poros... começamos. Serginho já descambou (como sempre) seguido de nem sei quem. Só sei que quem estava na minha frente era o Sr. Smile (o Ricardo, do começo do Relato) e lá ia ele, com os dois pés presos, numa agilidade, equilíbrio de fazer inveja. Quem nasceu prá pedalar... nasceu. E fomos descendo, aquele mato todo, não dava prá enxergar a trilha, em pequenos pedaços o mato abria-se e era uma erosão só. Sentados no banco, pernas fora do pedal, lá ia tudo mundo gritando e rindo, não sei se de nervoso ou da piada que aquilo era... E eis que o "maravilhoso" cai na minha frente, sim, gente. Ele Caiu eu ri e cai junto! Ele, cavalheiro me ofereceu a mão mas ela estava na barriga, segurando ainda mais o riso... e lá fomos nós até o final da trilha, onde podíamos ver o restante do pessoal como formiguinhas , descendo a trilha, uma hora visíveis, outra hora, só mato se mexendo. FANTÁSTICO. Quando chegamos ao final, todo mundo falando junto, dizendo como tinha sido, só sons encantados, entusiasmados e felizes... muito felizes. E eu de celular!! Chegamos ao final da trilha, descidinha básica e enfim o estacionamento. Desculpem pelo relato tão extenso, mas foram cerca de 6 horas, indescritíveis em uma folha de papel. Tudo isso escrito, ainda é pouco pelo que passamos e ... vivemos. Mais uma vez, turma do Cab se superou nesta demonstração de conhecimento dos caminhos onde antes, nossos antepassados índios, viviam, respiravam, caçavam e nada destruiam. Hoje, ao passarmos de bike, também temos certeza de não estarmos destruindo nada e se deixamos alguma coisa, são somente marcas de nossos pneus e nossas saudades de passeios esplendorosos!

  Rodados 50 km.

 

Esta Aventura tem 2 Vídeos.

22/06/2003 Descendo as escadarias da Ferrovia 414 kb
22/06/2003 Pulo do Barranco 475 kb

Relato : Iramaia Ávila
Fotos : CAB